É possível ser especialista no MTB XCO e no MTB XCM?

É possível ser especialista no MTB XCO e no MTB XCM?

O mountain bike está cada vez mais competitivo. Tanto na modalidade olímpica XCO, quanto nas provas longas de XCM. Mas, será que é possível manter o alto rendimento em duas modalidades distintas atualmente?Grandes nomes do esporte, como Jaroslav Kulhavy – campeão olímpico Londres 2012, que neste ano faturou a Ultramaratona de MTB Cape Epic – já demonstrou o caminho do sucesso.

Os atletas brasileiros da equipe Specialized Racing BR seguem conquistando resultados expressivos em competições de XCO e XCM. No último final de semana (22), eles competiram na Maratona Internacional Estrada Real de MTB, em Ouro Branco (MG), apenas uma semana depois do cross country olímpico da CIMTB em Araxá (MG).

A atual campeã brasileira junior, Bruna Elias de São Lourenço do Sul (RS), comprovou que “sim”, é possível traçar objetivos em modalidades distintas – já que venceu a prova de XCO em Araxá e alcançou o alto do pódio na Maratona XCM:

“Campeã da Maratona Estrada Real aqui em Ouro Branco. Estou muito feliz e só tenho a agradecer a Deus por essa sequência maravilhosa de provas desde o Pan-americano até hoje. O esporte me trouxe muitos aprendizados, oportunidades e uma segunda e grande família Specialized Racing BR” – comenta Bruna Elias.

O cross country olímpico (XCO) é definido atualmente por uma prova de aprox. 1:30 hora de duração e percurso “curto” super técnico e intenso. Nas provas longas tudo é diferente, por isso o atleta que almeja pedalar bem nas duas modalidades precisa fazer os ajustes necessários, como explica o técnico da SRBR e preparador físico Henrique Furtado:

“Diferente das primeiras provas do ano onde o XC Olímpico predominou, a competição de XCM gerou um novo desafio para os nossos atletas. Longa distância, alto acúmulo de subidas e tempo de prova acima de 3 horas são algumas das características que fazem do XCM uma modalidade que predomina a resistência e a dosagem do esforço” – acrescenta.

“O atleta de cross country precisa suportar altas intensidades em curto tempo. Para o XCM, é necessário trabalhar o condicionamento físico e mental por 2 horas de prova, o que engloba vários aspectos” – explica Henrique, que pontua:

Tática em se alimentar;
Cadenciar o esforço;
Interpretar o terreno – principalmente as subidas
Preparação específica e dedicação

De acordo com o técnico, na preparação para o XCM é importante executar um volume progressivo de treino até a semana pré-prova com o intuito de acumular a maior carga possível, mas ainda assim equilibrando com o descanso.

“Na semana da prova deve ser feito uma manutenção com carga reduzida, boas seções de técnicas de recuperação (massagem, descanso ativo, ventosas, alongamentos e funcionais) e uma alimentação rica e saudável” – comanda Henrique.

“No dia da prova estudar uma tática de alimentação, hidratação e dosagem dos esforços, juntamente com o treinador, analisando e discutindo o plano altimétrico, tudo isso é essencial pra evitar surpresas e desgaste demasiado” – comenta.

Equipamentos necessários – “É importante também que o equipamento esteja revisado e que o atleta seja autossuficiente, carregando com ele as ferramentas necessárias pra qualquer eventualidade mecânica. Bomba de mão, Co2, câmera de ar reserva e chave de corrente é o minimo que precisa estar presente no kit do atleta durante a prova” – resume Furtado.

Evolução constante

Isabella Ribeiro, que vem dedicando-se ao mountain bike nesta temporada, é uma prova dosso e também aceitou o desafio de intercalar as provas de XCO e XCM, consecutivamente, encarando o percurso em Ouro Branco com 65km de distância e quase 2.000 metros de altimetria acumulada.“Foi a primeira maratona do ano, prova bem disputada e muito dura com quase 2.000m de ganho de elevação. Foram 65km, defini minha colocação no quilômetro 45 mais ou menos onde ultrapassei mais duas adversárias finalizando em 5º lugar. Mais uma prova para analisar os pontos que ainda precisam ser ajustados para evoluir no MTB” – disse Isabella.

Para o jovem ciclista Lucas Sírio, que está em seu primeiro ano na categoria sub-23, cada corrida é um aprendizado. Ele fez a prova junto com o pelotão profissional, finalizando em top 5 na categoria e 18º colocação geral.

“Primeira maratona do ano, uma experiência e tanto largando com a elite e mantendo por um bom tempo no pelotão principal. Senti um pouco o ritmo no decorrer dos 65km de prova, mas ao final recuperei algumas posições” – comenta Lucas.

Dentre os grandes desafios dos atletas na temporada estão as provas de longa duração da Brasil Ride, com destaque para o Festival no final de maio em Botucatu (SP) e a Ultramaratona de MTB, em outubro, na Bahia (BA).

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