UCI defende seu teste de doping mecânico

UCI defende seu teste de doping mecânico

Não é de hoje que a UCI recebe acusações de falha em seu método para verificar doping mecânico nas bicicletas. Em defesa do procedimento, a UCI afirmou que o tablete é “altamente eficaz tanto nos testes quanto nos usos reais”.

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“Todos os envolvidos no ciclismo tem interesse em denunciar trapaças, pois isso não tem lugar no nosso esporte”, dizia o comunicado e ainda, fornecia um endereço de e-mail para onde as denúncias deveriam ser encaminhadas.

A eficácia do tablet da UCI foi colocada em dúvida em uma investigação do programa de televisão Stade 2, com a ajuda do canal alemão ARD e do jornalista italiano Marco Bonarrigo, do Corriere della Sera. Os jornalistas conseguiram adquirir um dos tablets e fizeram testes na Alemanha. Esse teste indicou uma série de falsos positivos para motores escondidos no quadro e, aparentemente, os tablets não conseguiram descobrir os motores eletromagnéticos mais avançados ocultos nas rodas.

Um problema político

As suspeitas de doping mecânico tornaram-se uma questão política devido às eleições presidenciais da UCI previstas para 21 de setembro deste ano. O candidato francês David Lappartient, que foi o vice-presidente da UCI ao lado de Brian Cookson nos últimos quatro anos, foi entrevistado pelo programa Stade 2 há poucos dias e pediu técnicas múltiplas como raios-x e pistolas térmicas, assim como a desmontagem de bicicletas para o tablet procurar por motores escondidos.

A UCI respondeu as últimas acusações ao apontar que Cookson introduziu as regras contra o que oficialmente é chamado de “fraude tecnológica” durante seu primeiro mandato como presidente.

As regras e proibições entraram em vigor alguns meses antes de um motor oculto ter sido descoberto na bicicleta de Femke Van Den Driessche nos campeonatos mundiais de 2016. Mais recentemente, um motor oculto semelhante foi descoberto na bicicleta de um veterano italiano que competia em uma prova em Brescia. No entanto, houve vários relatos de que rodas eletro-magnéticas muito mais sofisticadas foram usadas no pelotão profissional também. O Stade 2 acusou o UCI de não conseguir detectar as chamadas “rodas mágicas”.

Respondendo ao Stade 2

A UCI sugeriu que as pessoas que manipularam o tablet nas denúncias do Stade 2 exibido domingo, não tinham conhecimento nem treinamento adequado. A UCI também sempre defendeu sua tecnologia e suas técnicas, rejeitando, assim, qualquer tipo de questionamento.

Um relatório independente do laboratório Microbac, com sede nos Estados Unidos, ressaltou que o posicionamento do tablet era vital para o seu funcionamento, com uma distância ideal de 10 mm do quadro. Os testes do Stade 2 mostraram que houve uma reação do tablet ao passar sobre partes metálicas da bicicleta, com varreduras mais próximas e mais longas necessárias para fornecer uma indicação clara de um motor oculto. No entanto, o documentário mostrou imagens de verificações da UCI realizadas em corridas onde o scanner estava sendo movido rapidamente e as verificações foram completadas em apenas alguns segundos.

A UCI sempre defendeu o uso do tablet por sua facilidade e velocidade de uso em corridas. “Sempre enfatizamos que o scanner é para verificações iniciais e que as bicicletas devem ser desmontadas se qualquer suspeita de presença de um motor ou qualquer outro dispositivo oculto for indicado”, afirma o comunicado de imprensa. “Continuamos comprometidos com este trabalho e recebemos todas as sugestões e reclamações sobre como isso pode ser desenvolvido ainda mais.”

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