André Bretas relata como sobreviveu aos cinco dias do Andes Pacífico Enduro 2017

André Bretas relata como sobreviveu aos cinco dias do Andes Pacífico Enduro 2017

A mineiro André Bretas acaba de concluir uma das maiores aventuras de sua vida no universo competitivo do mountain bike enduro mundial. O ciclista da equipe Specialized Racing BR fez história no Andes Pacífico Enduro 2017, competição de cinco dias que parte do alto da Cordilheira dos Andes rumo ao oceano Pacífico, no litoral chileno.

“Foi uma prova duríssima, em virtude da altitude da Cordilheira dos Andes. Me senti muito indisposto nos primeiros dois dias da competição devido a falta de oxigênio. A partir do terceiro dia, tudo se encaixou e comecei a fazer as descidas especiais cada vez mais rápidas e consistentes. No quinto dia, cheguei a conquistar a segunda colocação na prova!” relata André Bretas, que concluiu a competição em top 15 da classificação geral.

O ciclista natural de Governador Valadares foi o destaque do grupo de cerca de 20 brasileiros que participaram da competição no Chile.

“Foi meu primeiro teste da temporada e serviu de parâmetros de como anda meu programa de treinamento, que mudou muito e está muito focado no desempenho de descida,” explica André Bretas. “Foram cinco dias despencando dos Andes ao Pacífico, totalizando mais de 12.000 metros de desnível altimétrico (descidas) com mais de 20 especiais cronometradas longas de 20-30 minutos! No meu caso resultou em 156 minutos de descidas, sendo em média 8 horas de prova por dia, um grande desafio!” conta Bretas, que competiu contra atletas renomados mundialmente, como Jerome Clementz, Iago Garay, Nate Hills, entre outros.

Sobrevivência

O clima seco do deserto, altitude e as altas temperaturas durante o dia e as noites frias foram apenas alguns dos desafios enfrentados por Andre Bretas e os participantes da Andes Pacífico Enduro.

A questão de sobrevivência na prova está muito ligada a hidratação e alimentação em geral. Todos os participantes ficam em barracas de camping – que já tornou-se o padrão nas provas de mountain bike por etapas – ou seja, condições iguais, em que a diferença está justamente no funcionamento da máquina humana.

“Um dos diferenciais que tive nessa prova foi o sistema SWAT, uma tecnologia presente na minha roupa e na minha bike que consigo armazenar os alimentos e bebidas que preciso, sem a necessidade de carregar mochila e pedalar com peso nas costas,” revela Bretas que veste um bretele (macacão de ciclismo) com bolsos internos, em que ele adaptou uma bolsa de hidratação de dois litros e no quadro da bike dispõe de um “porta-malas” onde ele leva o que quiser para sobreviver nas altas montanhas.

“É uma prova que exigiu muito da parte física e do equipamento. Tenho utilizado um “setup” (ajuste) de pneus, posição da altura da mesa e regulagem da suspensão para obter o máximo de rendimento nas descidas, em que tudo foi testado e aprovado no Chile rumo ao circuito mundial” acrescentou Bretas, que pedala uma S-Works Enduro com 160mm de curso de amortecimento de mola Ohlins.

Próximos desafios

André Bretas – atual bicampeão nacional do BES e único piloto brasileiro pré-classificado para correr o circuito mundial EWS (Enduro World Series) em 2017 está totalmente focado na evolução. Nem que para isso ele precise viajar para o outro lado do mundo em busca das trilhas mais desafiantes do planeta. Por isso, Bretas já está fazendo as malas para participar da 1ª etapa do EWS em Rotorua. Nova Zelândia, entre os dias 25 a 29 de março.

Para os demais participantes da Andes Pacífico Enduro – competição com base na estação de esqui de La Parva, rumo ao litoral chileno – a grande recompensa dessa turma toda foi que todos puderam no final se refrescar nas águas geladas da costa do Pacífico e aproveitar o merecido descanso…

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