Texto muito bacana de Mauro Nohara, atleta do ciclismo paralímpico brasileiro

Texto muito bacana de Mauro Nohara, atleta do ciclismo paralímpico brasileiro

Olá meus amigos!

Meu nome é Mauro Nohara, sou atleta do ciclismo paralímpico brasileiro e nos dias 26 e 27 de novembro de 2016 foi realizada a última etapa da Copa Brasil de Paraciclismo organizada pela CBC – Confederação Brasileira de Ciclismo e CPB – Comitê Paralímpico Brasileiro no qual fechei as duas ultimas provas com medalha de ouro e assim me consagrando Campeão do Ranking Nacional e Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paralímpico a famosa Copa Brasil de Paraciclismo e vim compartilhar um pouco desse momento especial com vocês.

Nas palavras do meu grande amigo, Sergio Miguel ele perguntava. Quanto vale um sonho?

A uns dias atras não saberia bem ao certo descrever esse sentimento mas hoje consigo descrever.

Um sonho está por trás das maiores barreiras, aquelas que as pessoas talvez não enxergarão por trás e por isso muitos não acreditaram no seu sonho assim como você acredita.
O preço que paguei para ver esse sonho se tornar real foi muito difícil, sacrifiquei minhas manhãs treinando durante horas e quando chovia ou quando não podia sair para treinar na rua, eu colocava minha handbike no rolo e passava horas lá treinando, eu sabia que um atleta de verdade é aquele que mesmo quando ninguém está olhando, ele trabalha duro e que seus resultados viram das suas ações, então eu agia todos os dias.

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Já chorei no asfalto enquanto treinava, vendo o quão difícil era se tornar um atleta profissional e que mais difícil ainda era vencer os atletas dos quais eu já fui plateia e aplaudi quando venciam, passei muitos estresses durante a temporada de treino, problemas familiares roubavam minha concentração durante os treinos, às vezes sentia vontade de largar tudo e simplesmente sumir do mapa, a pressão psicológica me pegava quando colocava a cabeça no travesseiro e no dia seguinte acordava com o corpo ainda cansado, saber que aquela etapa seria decisiva para ver meu sonho realizado tornava muito difícil manter a calma quando ia dormir. Sentir dores no corpo a cada treino realizado, durante os treinos, sentir fome, a água acabar e ficar com sede, à exaustão te abraçar e o corpo não ter mais forças para continuar e quando eu olhava para o GPS ainda faltava 20km de distância embaixo de sol que ardia o corpo inteiro mas eu sabia que tudo isso fazia parte de um longo processo de evolução.

Após um longo período de treinamento consegui viajar para Aracaju onde foi realizada a prova, passei 4 dias na casa do meu grande amigo Ulisses Leal Freitas, na companhia dos seus irmãos dos quais sou muito grato por toda ajuda especialmente a Lindemberg, que passou noites e dias nos ajudando.

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No dia seguinte após minha chegada, fomos para o local onde seria realizada a prova para fazer reconhecimento de pista, pra mim foi muito difícil encarar o calor, toda logística que tivemos, acordávamos as 4:30 da manhã para poder começar a treinar as 7:00 horas da manhã e quando começávamos a treinar já estava um calor de 28 graus com uma sensação térmica de uns 30 graus, me acostumar com o calor foi muito difícil porque sempre treinei de manhã em São Paulo e aqui sempre está menos de 23 graus a essa hora. Mas tudo deu certo conseguimos treinar no local, fazer aclimatização, reconhecimento de pista, sentir como era pedalar contra o vento naquele circuito e o que parecia ser uma reta se tornava uma ladeira muito punk.

Na quinta feira eu e Ulisses passamos horas e horas mexendo em nossas handbikes, arrumando e acertando os últimos detalhes, fiquei até as 23:30 e depois fui dormir e Ulisses continuo mexendo nas handbikes, no dia seguinte fomos testar os equipamentos com as melhorias que fizemos, parecia tudo perfeito até a hora que terminamos e vimos que minha roda estava dando uma pequena travada e a de Ulisses estava como se estivesse freando e seu estabilizador estava quebrado, então começamos a tentar concertar como loucos, uma das minhas rodas conseguimos concertar a outra tivemos que deixar um pouco solta para girar melhor, o tempo estava ficando curto e fomos para o hotel para participar do congresso técnico, participamos e logo em seguida fomos dormir.
Dia seguinte acordamos a 4:30 e começamos a nos preparar para a prova, era o dia da prova de contra relógio individual, estava muito tenso mas não queria mostrar isso pois tinha um parceiro comigo, Vinicius Bagio um grande guerreiro e eu não podia mostrar medo. Logo fomos para prova enfrentar mais um desafio, e lá estávamos eu, vinicius e Sergio meu parceiro de todas as horas, montamos nas handbikes e fomos aquecer, logo em seguida nos posicionamos para a largada, eu só precisava ganhar um ouro e uma prata para ser campeão então se garantisse aquela prova não teria tanto peso no dia seguinte.

Assim que deram a largada comecei a pedalar como nunca tinha pedalado antes, concentrei todas as forças em meus braços e pedalava esquecendo do mundo, e cada volta eu fui abrindo uma distância dos outros atletas até a hora que passei pelo atleta que estava à frente da minha largada do contra relógio ele estava 1 minuto na minha frente e eu passei por ele, naquele momento percebi que tinha ganho a prova e que eu tinha conseguido conquistar o título brasileiro.

Cruzei a linha de chegada  e a comemoração já era certa, o pensamento era que agora eu poderia até ficar em segundo lugar que o título seria meu e no dia seguinte na prova de estrada fui para fazer um dos melhores tempos que já fiz, nos alinhamos, respirei fundo e esperei soar a buzina da largada.

Dada a largada comecei a pedalar forte mas dosando para não quebrar, alguns metros à frente logo me desgarrei do pilotão e comecei abrir distância dos outros atletas, logo na primeira volta um dos atleta me atacou e chegou próximo, batendo em meu parachoque, pensei que ele me passaria então comecei a pedalar um pouco mais forte, ele abriu para o lado e pensei, agora ele vai me passar mas com a consciência tranquila eu continuei no meu ritmo e logo fui abrindo novamente e o meu adversário foi ficando para trás, a cada volta eu abria mais distância e na última volta próximo a chegada não sabia mais o que tinha acontecido, simplesmente vi a bandeira xadrez que anuncia a minha vitória, naquele momento caiu a ficha de que eu tinha vencido o campeonato Brasileiro e Ranking nacional, então parei de pedalar e abri os braços comemorando a minha chegada. Simplesmente emocionante, não sei como descrever essa sensação mas tudo isso foi extraordinário. Finalmente realizei meu sonho e hoje me consagrei o melhor atleta do ciclismo paralímpico h1 do Brasil, essa sensação é única e mostra que todo o esforço valeu a pena, que qualquer sonho pode se tornar real mesmo que pareça impossível.

Uma frase sua me acompanhou por vários dias:  VIVA PARA REALIZAR OS SEUS SONHOS!

É isso aí amigos esse é um pedaço da minha história, mas não acabamos por aqui, já estamos almejando um campeonato mundial.

Em breve voltaremos com novas conquistas.

Obrigado a todos que torceram por mim! Deus abençoe!

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