Livro do ciclista Thomas Dekker dá detalhes do doping em Rabobank

Livro do ciclista Thomas Dekker dá detalhes do doping em Rabobank

Thomas Dekker e Boogerd foram companheiros de equipe durante o Tour de France de 2007. Dekker, na época com 22 anos, estava no seu primeiro tour e Boogerd no seu último.

No livro traduzido como “Thomas Dekker – minha luta”, ele descreve como Boogerd contou sobre o uso do banco de sangue através do seu assessor Stefan Matschiner, e como conseguia substâncias proibidas durante a prova na França.

“Usamos Diprofos (cortisona) todos os dias, eu não sabia para que servia aquilo mas sabia que conseguíamos ir muito bem na prova além de deixar nosso corpo muito magro, estava com 68 quilos com 1,88 metros”, escreveu Dekker.

Antes do processo de aplicação de TUE ter sido atualizado em 2014, o abuso de corticosteróides era comum, Lance Armstrong também já tinha sido pego com a substância em seu sangue. Apesar da Operación Puerto em 2006 ter abalado o mundo do ciclismo, as coisas parecem que mudaram bem pouco no ano que se seguiu.
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“O tour começava em Londres e já estávamos lá fazia uma semana. Havia um check-up pouco antes da prova, meu hematócrito era de 45 e do Michael era de 50, no limite, mais que isso ele já caía no doping. Os médicos da equipe propuseram fazer uma infusão de água em seu corpo para os números caírem de dois a três pontos, antes da organização fazer novos testes”, detalhou em outro trecho e continua contando que estavam entediados no quarto do hotel bebendo vinho e decidiram contratar prostitutas europeias. “Michael e eu nos decepcionamos pois elas não eram bonitas como nas fotos do site”.

Além de Dekker e Boogerd, havia também na equipe Denis Menchov, Óscar Freire, Pieter Weening, Juan Antonio Flecha, Grischa Niermann mas foi Michael Rasmussen que jogou tudo pro alto como líder do GC na pré-corrida.

“O doping está em toda parte: na nossa equipe, nas outras equipes, Dynepo, cortisona, bolsas de sangue, remédios para dormir… você fica cercado de absurdos e acaba achando que aquilo tudo é normal”. Mas tudo isso não teve um final feliz. A equipe venceu, mas logo recebeu uma ligação com notícias ruins.

“Nós não estávamos acreditando naquilo, até que Rasmussen bateu em nosso quarto, visivelmente chorando e dizendo que havia sido expulso do Tour (…); decidimos continuar e quando chegamos fomos chamados de trapaceiros pelo público”.

Fotos: Tim de Waele/TDWSport.com

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