Grupos dos Direitos Humanos pedem para a UCI rejeitar nova equipe de ciclismo do príncipe de Bahrein

Grupos dos Direitos Humanos pedem para a UCI rejeitar nova equipe de ciclismo do príncipe de Bahrein

O Cycling Team Bahrein, a suposta nova equipe de ciclismo de estrada para o WorldTour  do Príncipe Nasser bin Hamad Al Khalifa, tem estado sob pressão antes de sequer ser devidamente estabelecido como uma equipe pela UCI, isso porque o grupo de direitos humanos apelaram à UCI para evitar que a equipe seja integrada ao esporte.

O Instituto Bahrein de Direitos e Democracia e o Centro Europeu para Constitucionais e Direitos Humanos enviaram uma carta em conjunta na segunda-feira, dia 6 de junho, ao presidente da UCI, Brian Cookson, levantando “sérias preocupações” sobre o príncipe Nasser bin Hamad Al Khalifa, o homem por trás a equipe que pretende lançar a nível worldtour uma equipe no próximo ano.

Os grupos apontam para alegações de violações dos direitos humanos feitas contra Nasser, incluindo tortura, e argumentam que a concessão de sua equipe e acesso ao nível superior do ciclismo seria uma violação do próprio código de ética da UCI, bem como causando “graves danos à reputação” para o ciclismo.

“O príncipe Nasser está jogando dinheiro no ciclismo internacional para digamos apagar o seu passado no Bahrein. É o dever da UCI rejeitar a licença do Cycling Team Bahrein WorldTour “, disse Sayed Ahmed Alwadaei, Diretor de Advocacia do BIRD em um comunicado enviado ao site Cyclingnews. (BIRD é uma instituição ligada à ONU com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e social).

O Cycling Team Bahrein foi anunciada no mês passado depois de meses de especulação.

Nasser é o filho do rei do Bahrein e é presidente do Comitê Olímpico de Bahrein e do Conselho Superior da Juventude e Desporto. As acusações contra ele se relacionam com a primavera Árabe de 2011, o que levou a revoltas entre os países no norte da África e no Oriente Médio e uma repressão do governo, no Bahrein.

Príncipe Nasser, de acordo com o BIRD e ECCHR (European Center for Constitutional and Human Rights) formou um comitê de investigação, que perseguiu atletas que estavam envolvidos no movimento pró-democracia. Alegações de que atletas foram submetidos a tortura, embora não haja nenhuma prova de que Nasser foi pessoalmente envolvido na tortura dos mesmos.

“As alegações são inteiramente falsas e negadas categoricamente pelo príncipe Nasser”, dizia um comunicado após o jornal londrino The Independent relatar no ano passado que os militantes estavam preparando um novo dossiê de provas contra ele.

O caso é ainda mais complicado pois a ONU e os Direitos Humanos alegaram: “tortura continua a ser empregado sistematicamente no Bahrein”

Na sua carta à UCI, BIRD e ECCHR escreveram: “Acreditamos que o envolvimento do príncipe Nasser como chefe de uma equipe seria uma violação do artigo 2 do Código de Ética da UCI, que protege contra violações dos princípios que incluem a dignidade humana, a não discriminação contra as opiniões políticas, a não-violência e assédio, integridade e neutralidade política.”

“Além disso, ele também é uma violação do artigo 6, que prevê que todas as partes no Código não deve ter relações com organizações, empresas ou pessoas cujas atividades são incompatíveis com os princípios estabelecidos no Código.”

“Portanto, pedimos que vocês rejeitem a atribuição da licença WorldTour à Cycling Team Bahrein.”

Texto traduzido do site Cyclingnews.com

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