Detalhes de um tetracampeão da Cape Epic MTB com Abraão Azevedo

Detalhes de um tetracampeão da Cape Epic MTB com Abraão Azevedo

Depois de oito dias e 652 km pedalados, a glória: Abraão Azevedo conquistou o tetracampeonato consecutivo na categoria Master da ultramaratona de MTB, a Cape Epic, realizada na África do Sul. De volta ao Brasil, o atleta Scott saboreia mais uma conquista ao lado do holandês Bart Brentjens – dos quatro títulos do brasileiro em uma das provas de mountain bike mais difíceis do mundo, este é o terceiro com o parceiro.

O percurso da maratona passou por cinco cidades: Cidade do Cabo, Stellenbosch, Wellington, Tulbagh e Meerendal. Algumas histórias Abraão conta a seguir:

Sensação de ser tetracampeão

“Das melhores sensações que um atleta pode sentir: paz e alegria. O sentimento que fica é de que todo o sacrifício valeu a pena, todos os treinos com chuva, os treinos com frio… Até a própria dificuldade da prova é esquecida neste momento: estou muito feliz”.

Detalhes-de-um-tetracampeao-da-Cape-Epic-MTB-com-Abraao-Azevedo atleta da scottFoto: Ewald Sadie/Cape Epic/Sportzpic

Ritmo de pedal

“Para ser campeão da Cape Epic não tem jeito, o ritmo tem que ser forte. No quarto dia de prova, a terceira etapa depois do prólogo, o Bart forçou o ritmo logo na primeira subida difícil. Eu dei aquela olhada pra ele, mas torci o cabo junto. Logo depois da primeira descida longa e técnica, a gente deixou o pelotão pra trás e ainda tínhamos uns 100 km pela frente, com bastante vento.

Perguntei pra ele se não era cedo demais pra forças. Ele só me respondeu que nunca é cedo. Seguimos pedalando forte, fiz o meu melhor como sempre faço e chegamos com mais de 10 minutos de vantagem do grupo. Foi nesse dia que percebi a diferença entre um campeão e um campeão olímpico (Bart foi medalha de ouro em Atlanta-96). É incrível como a gente sempre aprende em provas como esta”.

Detalhes-de-um-tetracampeao-da-Cape-Epic-MTB-com-Abraao-Azevedo-e-Bart-brantjens-2016Foto: Ewald Sadie/Cape Epic/Sportzpic

A Scott Spark 900

“O Bart e eu temos biótipos e estilos bem diferentes. Então a minha opção pela Spark com rodas 29’’ foi com a ideia de diminuir um pouco estas diferenças entre a gente. A performance foi excelente nos terrenos mais rodados, com velocidade bem forte nas partes planas. Acho que foi a melhor escolha que eu poderia fazer mesmo. Este ano foi o ano com o maior percentual de singles tracks de toda a história do Cape Epic, o que tornou a prova mais divertida”.

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Os perrengues

“Passar por dificuldades em ultramaratonas de mountain bike é algo normal (risos). Eu já fiz mais de vinte ao redor do mundo e sei bem disso. Este ano, em fevereiro, disputei uma prova na Espanha, a Costa Blanca Bike Race, e tive um problema na região lombar quando estava retornando de lá. E no primeiro dia longo na Cape Epic essa dor voltou a me incomodar.

É daquelas coisas que não dá pra explicar, durante o pedal doía muito e eu só pensava ‘o que estou fazendo aqui?’. Mas resisti e no final da etapa estava me sentindo um pouco melhor e consegui terminá-la com um desempenho razoável. Depois, a dor parou de me incomodar tanto.

Além disso, este ano a largada foi no portão A, apenas com as 50 primeiras duplas, menos as Elites masculina e feminina. Assim pudemos largar mais tranquilos, sem aquele ritmo forte demais logo na largada, por conta dos atletas da Elite”.

Parceria com Bart Brentjens

“O Bart é um grande parceiro e estou sempre aprendendo muito com ele. Ele tem uma determinação muito acima da média, parece que nunca está satisfeito e acho que isso faz com ele esteja sempre evoluindo. Mas pedalar em equipe, no caso da dupla, é uma experiência diferente, porque é preciso sempre existir muito respeito entre os atletas. Têm dias em que um está melhor, em seguida isso se inverte… O importante é ter em mente que a prova é em dupla e para o sucesso do time os dois tem que terminar bem e estar preparado pro dia seguinte”, finaliza.

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