Marco Pantani foi vítima da máfia italiana em doping arranjado segundo investigações

Marco Pantani foi vítima da máfia italiana em doping arranjado segundo investigações

Nesta seguda-feira, dia 14 de março de 2016, quase duas décadas depois do ocorrido, finalmente um caso escandaloso de doping de um dos maiores ciclistas do mundo. Marco Pantani, em 5 de junho de 1999 foi expulso do Giro da Itália, sendo uma das principais provas para um ciclista profissional. Isso porque na ocasião o atleta foi pego com níveis elevados de glóbulos vermelhos. Após quase 17 anos de investigações, ficou comprovado que um membro da Camorra, organização mafiosa de Nápoles, foi o responsável pela alteração no exame do ex-campeão, que morreu em 2004 quando lutava contra a depressão.

Marco Pantani foi vitima da mafia italiana em doping arranjado segundo investigacoes

“O Pirata” como era chamado, devido ao uso das bandanas na cabeça, Marco Pantani venceu o Giro da Itália e a Volta na França em 1998 e, na penúltima etapa da prova italiana de 1999 era o líder, antes de ser desclassificado por doping. Nesta segunda, a polícia de Forlì, na região de Emília-Romanha, informou ao canal Mediaset a ligação da Camorra no caso.

O canal Mediaset publicou com exclusividade a interceptação de uma conversa telefônica entre um membro da Camorra e um parente. Nela, o criminoso napolitano não identificado confirma uma história contada ainda em 1999 por Renato Vallanzasca, um dos maiores mafiosos da Itália. Em seu livro, Vallanzasca revelou que um companheiro de cela ligado à Camorra lhe sugeriu que apostasse todo o seu dinheiro contra Pantani no Giro de Itália, garantindo que o ídolo perderia a prova, dias antes do anúncio do doping.

O chefe da investigação que desmascarou o caso, Sergio Sottani, confirmou o desfecho aos principais jornais italianos. “Um membro do clã Camorra ameaçou o médico e o forçou a alterar os testes, fato que colocou Pantani acima do nível permitido”, afirmou. O resultado do exame do atleta demonstrou 51,9% glóbulos vermelhos, enquanto o máximo permitido pela Federação Mundial de Ciclismo (UCI) é de 50%. Tonina Pantani, a mãe do atleta, se disse aliviada ao saber que “a verdade apareceu” e disse que buscaria formas de a família ser compensada pela fraude.

Marco foi eliminado da competição e, a partir de então, viu sua carreira ir por água abaixo. Ele jamais aceitou a punição e, sofrendo de depressão, foi encontrado morto, aos 34 anos, em um hotel da cidade de Rimini. Sua autópsia revelou morte por ataque cardíaco causado por overdose de cocaína.

Foto capa: Pascal Rondeau/Getty Images – Fonte: Revista Veja

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