Depoimento de Henrique Avancini sobre o Evento-teste MTB no Rio de Janeiro

Depoimento de Henrique Avancini sobre o Evento-teste MTB no Rio de Janeiro

Foto: Carlos Resende

Henrique Avancini foi o top 5 no Evento-Teste de MTB para as olimpíadas.

Henrique Avancini comenta como foi o Evento-Teste de mountain bike para as olimpíadas 2016. Evento que rolou no domingo dia 11 de outubro, onde mais de 30 países com seus representantes estiveram presentes.

Leia abaixo relato postado na fanage por Henrique:

“O Aquece Rio, esquentou mesmo.
Fiquei feliz por muitos motivos.
Em primeiro lugar, a pista ficou sensacional. Alguns pontos merecem alterações principalmente para evitar quedas e transito demasiado na primeira volta. Mas diria que é um dos melhores circuitos que já rodei. Explora a parte física, técnica e tática.
O Evento Teste é um ensaio. Uma oportunidade única pra organização, atletas e equipes de apoio têm para acertar tudo para os Jogos Olímpicos.
Falando da corrida. Com dois dias de treinamentos, eu me adaptei a pista. Gostei muito do traçado, terreno, e fluidez.
Gostei muito da minha pilotagem. Geralmente meu ponto de desvantagem em alguns circuitos do calendário internacional, claramente se tornou uma vantagem nessa pista. Tive a clara sensação de ser mais rápido do que os outros atletas que rodei junto durante a prova nas partes técnicas e isso é um conforto muito grande pra mim e prova que todo o esforço empregado pra pilotar no nível dos melhores está surtindo efeito.
Praticamente todos os atletas tops vieram para o Evento Teste e ao contrário do que eu pensei 99% estavam aqui pra correr em forma competitiva. Isso ficou claro pelo ritmo no começo de prova e depois alguns atletas foram “explodindo” pelo caminho no calor absurdo que bateu 40°C em Deodoro.
Tive uma largada ruim, ou péssima se preferir. Sofri um toque (uma pancada na verdade) de algum atleta no câmbio traseiro e fiz a prova com a gancheira torta e tentando achar uma regulagem que desse pra rodar. Acabei gastando muita força na primeira volta e perdendo muito tempo. Cheguei a rodar na 30° colocação e depois fui ganhando posições. Na segunda volta consegui encostar no grupo líder que tinha cerca de 10 atletas, mas neste momento houve uma fuga na ponta e eu fiquei no grupo.
E a partir desse momento deu pra perceber claramente o quão tática será a corrida nos Jogos Olímpicos. Ataquei o grupo e fui acompanhado pelo suíço Vogel (número 3 do Mundo). Abrimos do grupo, mas como o companheiro de nação dele estava liderando ele não quis revezar na parte veloz da pista, onde faz uma diferença absurda estar em algum grupo.
Segurei um pouco, pois ainda estava na metade da corrida. Fomos alcançados pelo grupo.
Na quarta volta ataquei novamente com o francês Sarrou e abrimos uma boa diferença, mas ele furou e acabei ficando sozinho no plano mais uma vez. Mais um “cartucho” desperdiçado
Na quinta e penúltima volta, o espanhol Coloma atacou e mais uma vez fui o único a reagir, porém quando revezei com ele, ele acabou errando em uma parte da pista e, adivinha só, fiquei mais uma vez sozinho de cara pro vento na terceira colocação. Faltando uma volta e meia pro final o jeito foi arriscar e tentar levar até o final, mas faltou um pouco e os atletas que revezaram conseguiram tirar a diferença. Faltando 2km, o italiano Tiberi atacou e perdi um pouco o contato. Depois o Francês bi-campeão olímpico me alcançou e viemos para o sprint final. Errei o lado da arrancada e apesar de eu arrancar um pouco melhor, ele soube defender a trajetória fazendo a curva e mantendo a diagonal. Errei e esse tipo de erro não pode acontecer principalmente quando você está disputando com o cara mais vitorioso da história da modalidade. Cheguei a 9 segundos do pódio e perdi por poucos centímetros a quarta colocação.
No geral, fiquei muito satisfeito. Venho de uma temporada onde comecei muito bem, mas nas principais competições tive apenas desempenhos medíocres, principalmente por não ter lidado bem com a lesão que tive.
Estava me sentindo bem, mas não na melhor forma, mas eu precisava muito de um bom desempenho. O resultado em si não é o mais importante, mas ficou claro pra mim, que nessa pista eu tenho pernas e braços e mesmo com uma corrida “quadrada” ainda consegui um resultado expressivo.
E além do mais, ano que vem eu tenho um trunfo. Vocês estarão lá, gritando e me dando aquela força que faz muita diferença.
Valeu Deodoro. Até ano que vem!”

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