Érick Bruske conta sobre sua carreira em entrevista exclusiva

Érick Bruske conta sobre sua carreira em entrevista exclusiva

Nome: Érick Eduardo Bruske

Cidade: Indaial – SC

Idade: 18 anos

Principais títulos: Pentacampeão Brasileiro (Contra relógio 2011, Pista 2012, Cross Country 2013,2014 e 2015), Medalha de Bronze no Pan-americano de XCO 2014 (Team Relay) e Vice-campeão da Copa Lippi (Santiago – Chile).

Patrocínios: Equipe AOO/Specialized/Pedal Urbano

Ride Bike: Desde quando pedala? E como começou a competir?

Érick: Quando eu era pequeno sempre gostava muito de andar de bicicleta pelas ruas do bairro com as outras crianças, mas minha primeira bike aro 26 de marcha chegou somente no natal de 2007. 

Adorei o presente e logo estava indo cada vez mais longe, sempre com o apoio dos meus pais. Foram eles que me incentivaram a participar das primeiras corridas de Cross Country, logo no começo de 2008 e embora eu não apresentasse talento nenhum para a bike, eles sempre estiveram na torcida em todas as corridas.

Meu espírito competitivo sempre foi grande e eu queria ir cada vez mais longe, até que em 2010 começaram a aparecer alguns bons resultados. Nesse mesmo ano comecei a correr provas de ciclismo de estrada e cheguei até a integrar a Seleção Brasileira Juvenil na Volta do Codecan no Uruguai. Conciliei por dois anos essas duas modalidades, mas a paixão pelo Cross Country falou mais alto e a partir de 2013 foquei no MTB, usando a speed somente para alguns treinos específicos.

Ride Bike: Qual seu ídolo no esporte?

Érick: Tenho uma grande admiração pelo estilo de pilotagem dos grandes atletas atuais da modalidade como Nino Schurter, Julien Absalon e Jaroslav Kulhavy. Espero um dia poder estar em um nível semelhante a essas feras e por isso procuro me espelhar neles.

Ride Bike: Sobre o nível dos atletas da sua categoria, o que você tem a dizer?

Érick: Sinto que no Brasil o nível do Cross Country está muito abaixo da média se compararmos com outros países. Isso é muito ruim, pois a competitividade é o que alavanca o nível do esporte. A falta de investimento e competitividade nas categorias de base reflete diretamente nas categorias Elite. Os jovens que hoje não estão preocupados com os resultados ou de procurar evoluir, amanha estarão subindo para as categorias profissionais, e isso só faz com que o nível e do esporte decaia cada vez mais.

FOTO: Thiago Lemos/CBC

Ride Bike: Além da bike? O que mais gosta de fazer? Algum hobby?

Érick: Gosto de jogos de carta, além de ajudar a trabalhar a cabeça e desenvolver raciocínio rápido é um dos hobbys que consigo fazer parado. 

No período de férias da bike aproveito para fazer caminhadas e quando possível jogar algum esporte coletivo como basquete ou vôlei.

Ride Bike: Sobre seu equipamento, quais são eles? Quais bikes você está usando? MTB e estrada.

Érick: Este ano estou contando novamente com o apoio da Specialized como fornecedora das bikes e equipamentos, e mais uma vez estou usando tudo de melhor que eles dispõem hoje no mercado.

Minhas bikes de treino são a Epic Expert World Cup para os treinos técnicos e a Allez Comp Race para os treinos longos e de potência. A duas bikes são fenomenais e trazem uma segurança enorme para realizar os treinos diários levando cada uma até o limite.

Já minha bike de corrida é uma Epic Expert World Cup. A unica diferença entre a bike de corrida e a de treino é o peso, pois ambas levam o mesmo grupo 1X11 e possuem a mesma geometria, além de passarem por todos os ajustes do Body Geometry Fit para se ajustarem as minhas medidas e ficarem idênticas.

Ride Bike: Seus treinos são em média quantas horas e quantas vezes por semana?

Érick: Meus treinos variam entre seis a sete dias por semana, mas estou o tempo todo empenhado em alguma coisa visando melhorar o meu desempenho. Além dos treinos na bike no período da manha, faço a tarde duas vezes por semana academia e três vezes pilates. Tenho reparado que estes treinos complementares têm ajudado muito na minha preparação muscular e da capacidade de equilíbrio.

A carga de horas em cima e fora da bike é uma coisa que estou sempre ajustando com a minha treinadora Rafaella Della Giustina, mas em média os treinos na bike giram em torno de doze a vinte horas por semana. Para quem estiver interessado em acompanhar, compartilho alguns treinos no Strava, então é só entrar lá e ficar de olho. 

FOTO: Fabio Piva

Ride Bike: E a conciliação de bike e estudos? Como você encara isso?

Érick: É uma rotina bem puxada. Passo 

a maior parte do meu dia treinando e recuperando para os próximos treinos e fica difícil encaixar os estudos no meio dessa rotina agitada. No ano passado completei o Ensino Médio, e este ano estou apenas prestando vestibular para ano que vem ingressar na faculdade.

Além da rotina de treinos uma das coisas que mais atrapalha nos estudos são as viagens, mas sempre consegui recuperar os conteúdos e manter boas notas durante todo o ano. No próximo ano talvez as coisas fiquem um pouco mais apertadas com a entrada na categoria Sub 23 e na faculdade, mas vou me empenhar ao máximo para não deixar a desejar em nenhum dos dois.

Ride Bike: Como você enxerga sua carreira e qual sua prospecção para daqui 5 anos por exemplo?

Érick: As coisas aconteceram muito rápido para mim, tanto que se me perguntasse isso à uns três ano atrás eu diria que gostaria de representar meu país e ter patrocínio de uma grande marca mundial de bicicletas. Mas isso é onde eu estou hoje, e agora que alcancei quero ir mais longe ainda.

A primeira parte do meu sonho como profissional já se realizou, vejo que estou hoje em um nível muito bom em relação aos outros atletas da América, mas agora meus objetivos são ainda maiores e espero entrar forte na sub 23 e conquistar grandes resultados tanto dentro como fora do país.

Ride Bike: Esse ano além do Brasileiro, tem alguma meta que pretende conseguir? Alguma competição fora do país?

Érick: Este ano minha última prova internacional será a Copa Internacional Buenos Aires na Argentina, valendo pontos para o Ranking UCI. Durante o ano cheguei a ocupar a décima segunda colocação do Ranking Mundial, mas acabei não dando continuidade na busca pelos pontos devido à rotina de viagens que acabaria desgastando e atrapalhando a preparação para as provas nacionais. 

A prova na Argentina será uma grande chance de conquistar uma vitória em solo Internacional e uma boa oportunidade para conhecer alguns dos adversários que ano que vem também subirão de categoria.

Ainda no Brasil estarei junto com a equipe AOO/Specialized na Taça Brasil em Rio das Ostras – RJ e na última etapa da Copa Internacional de MTB em Congonhas – MG, onde estarei defendendo a camisa de líder do campeonato. Estou muito confiante no trabalho que venho fazendo e espero sair com a vitória em ambas as corridas.

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