Entrevista Raiza Goulão

Entrevista Raiza Goulão

 Raiza Henrique Goulão

Idade: 23 anos

Cidade: Pirenópolis / GO

Equipe: Specialized

Patrocínios: Caixa, Ortholine, Pedal Urbano e Thule.

Ride Bike: Em 2015 você está em uma nova equipe, e como foi essa mudança? Houve uma negociação demorada para isso?

Raiza: Desde sempre conversava sobre isso, porém as propostas nunca chegaram a algo definitivo e concreto.  Até o final do ano de 2014 eu estava ainda na equipe Soul, mas a virada de ano deu uma virada também em minha vida. Acabei não renovando com a equipe devido a mudanças de planejamentos, de ideias não bateram com o meu objetivo, e foi aí que resolvi sair e correr por conta própria, tirando as despesas e tudo mais do meu orçamento.

E foi tudo muito por acaso, e em menos de 3 dias já estava tudo resolvido, já havia ligado para o pessoal da Specialized, e eles me disseram que o Flávio estava montando uma equipe. E foi aí que tudo aconteceu. Fechei com ele, acertamos parcerias e coisas do tipo.

Fiquei muito feliz e aliviada, afinal seria muito puxado sem uma equipe e arcando com os investimentos do próprio bolso.

RB: Qual a principal mudança que você sentiu, além do equipamento. O tratamento como atleta é diferenciado?

Raiza: Além da mudança de equipe, meu treinador Cadu Polazzi e eu conversamos, aumentamos a carga de treinos, mas as vezes ele precisa me “puxar” falando: menos Raiza, menos, vamos com calma.

Primeiramente fiz um trabalho mental comigo mesma, pensando em pontos fortes e positivos e o porque eu não estava indo bem principalmente lá fora, competindo no exterior. Na Specialized senti que tenho isso a meu favor, com um trabalho em equipe e motivação, sabendo que tem pessoas que podem me colocar pra cima. Isso psicologicamente para o atleta é sensacional e ajuda muito na hora de uma decisão. Eu como muito religiosa sempre tento ficar em paz na hora de uma corrida, sempre peço que corra tudo bem, sem quedas, sem danos no equipamento, somente para que tudo termine conforme  planejado.

RB: O seu foco para esse ano mudou com a mudança de equipe? Seus objetivos precisaram ser remanejados?

Raiza: O foco principal desde que eu conversei e entrei na equipe são os jogos olímpicos de 2016. Então esse ano quero continuar liderando o ranking olímpico e o ranking UCI, tentar um top 20 no ranking mundial, pois se estiver nesse top 20 conseguirei um incentivo, podendo investir ainda mais na minha carreira.

Quando eu entrei eu disse: “preciso que vocês abracem a causa comigo,

quero competir nos jogos olímpicos”, mas eu entendo que a equipe precisa e tem seu calendário também onde algumas provas não valem pontos, mas vale muito a presença da equipe e dos atletas.

E nesse ano eu tenho em média de 20 a 24 provas no ano, ou seja, é um calendário longo e cansativo, muita prova fora, principalmente na Europa.

RB: O que você sente das atletas estrangeiras quando vai competir fora? O clima, o preparo delas e o nível é outro?

Raiza: No ano passado eu tomei um choque de realidade enorme, foi muito sofrido e o desempenho não foi tão bom. A etapa na Alemanha eu lesionei e acabei tomando alguns pontos na perna, mas foi uma grande experiência.

Esse ano estou pensando mesmo no top 20, sabendo da dificuldade e do nível das atletas. Afinal são 80 atletas lutando por um lugar mais alto.

RB: Você comentou que houve um aumento nos treinos, falando nisso você precisou mudar algo além disso na sua rotina? Incluir alguns treinos a mais ou diferenciados, além da bike?

Raiza: A equipe nunca influenciou muito nos meus treinos, pois eu já venho fazendo meu treinamento a dois anos com o Cadu Polazzi. Normalmente eu faço meus treinos de bike que são 6 por semana, e também já incluo na minha prepação e rotina o Pilates, sem contar que faço um treino de funcional e um cross fit no quintal de casa, acho legal isso, dar uma extravasada de vez em quando, principalmente no meu caso que não sou muito fã de academia. Mas além de tudo eu sempre gosto de praticar esportes, faço algumas corridas de trekking, mas o Cadu não gosta muito (risos).

 RB: Sobre a categoria feminina, você acha que as atletas estão cada vez melhores, e estão aparecendo outras? 

Raiza: Está aumentando muito, um bom exemplo é a prova de Araxá, que antes éramos em 12, no máximo 15 atletas, e hoje somos mais de 30. Eu fico feliz com isso, em olhar pra trás e ver que tem 4 fileiras de atletas. Mas acho que no MTB feminino falta muito incentivo, nas provas a premiação é muito desigual e é bem complicado isso.  Acho que falta um pouco de apoio da confederação e dos organizadores de prova.

Mas tudo tem seu tempo e crescimento e as concorrentes estão cada vez melhores, o que fica cada vez melhor de competir.

RB: Sobre seu novo equipamento, quais são eles? Quais bikes você está usando?

Raiza: Em primeira mão, quando eu troquei de equipamento e fui fazer um teste na Full, eu assustei. No começo principalmente eu fiquei um pouco receosa com ela, até porque existem muitos paradigmas em questão de peso e perda de rendimento e tudo mais. Estou me acostumando ainda, mas já posso dizer que estou adorando e que vou utilizar e muito! A Full tem que tomar cuidado porque com ela a empolgação é bem maior!

Sobre a Fate que é a rígida, tive um encaixe perfeito que nunca imaginei que fosse encontrar!

RB: Sobre sua fanpage e seu site, você acha positivo o retorno que você tem dos seus fans? Isso te incentiva muito na hora de competir?

Raiza: Acho incrível tudo que acontece, pois tem dias que eu olho e tem tantas curtidas, e penso que sao apenas curtidas né? Mas não, quando eu compartilho alguma coisa tem muita interação, muito comentário! E acho

isso muito legal, pois a galera vem me perguntar dicas, saber como sao meus treinos e muitas outras coisas. Eu sou muito grata aos meus fas e com certeza isso influencia demais um atleta.

RB: Na sua opinião, você acha que com a estrutura e com os atletas que possuímos hoje seria possível uma medalha olímpica?

Raiza: Acho que falta muito incentivo ainda para poder chegar ao pódio olímpico, até porque não depende somente dos atletas, mas sim de um todo. No feminino acho muito difícil pois o nível que possuímos em comparação das atletas de fora ainda é surreal, mas eu quero ir para dar trabalho e com certeza eu vou incomodar!

COMPARTILHE

Comente